Doença de Alzheimer, Uma prioridade de Saúde e de todos

Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave / 03 mar 2019

Doença de Alzheimer: Uma prioridade de saúde para todos

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, representando cerca de 60 a 70% de todos os casos de demência (Organização Mundial de Saúde [OMS], 2015) sendo caracterizada por uma doença progressiva e degenerativa que afeta as funções cerebrais. Gradualmente,  é notório o desenvolvimento de défices cognitivos, que incluem a afeção da memória e perturbações cognitivas, apraxias, agnosias e perturbações do funcionamento executivo (American Psychiatric Association [APA], 2014).

De uma forma resumida, a Doença de Alzheimer é caracterizada por apresentar um estádio inicial, onde as alterações da memória podem passar despercebidas, sendo muitas vezes subestimadas pelo 

doente e família e na qual o doente usa estratégias compensatórias no sentido de evitar que os outros significativos se apercebam. No estádio moderado há agravamento progressivo dos sintomas tornando os doentes incapazes de manter algumas das suas atividades de vida diária, onde os processos cognitivos ficam cada vez mais comprometidos e onde surgem algumas alterações do comportamento; no estádio severo verifica-se um agravamento do estado geral, quer físico quer cognitivo, e consequentemente uma total dependência de uma terceira pessoa. 

A falta de conhecimentos sobre a Doença de Alzheimer repercute-se inevitavelmente no não reconhecimento dos sintomas iniciais, atrasando o seu acompanhamento pelos cuidados de saúde especializados, e reduzindo as possibilidades de diagnóstico correto com repercussão negativa na qualidade de vida do doente e família e/ou cuidador. 

A prestação de cuidados de saúde e assistenciais à pessoa com doença de Alzheimer exige uma elevada informação e capacitação dos seus cuidadores, onde os profissionais de saúde têm um papel importante de forma a que a pessoa com demência conviva num ambiente tranquilo, seguro e onde a interação social faça parte da estimulação cognitiva. 

 

Os profissionais de saúde têm um papel importante de forma a que a pessoa com doença de Alzheimer conviva com um ambiente tranquilo e seguro.

 

Apesar de ainda não existir tratamento, os estudos evidenciam a importância da interação social, uma vida ativa, atividades quotidianas, lazer e ocupacionais, que permita uma estimulação dos processos cognitivos, uma alimentação adequada e a atividade física regular. Ao contrário do que muitas vezes as pessoas pensam, não só a leitura, o cálculo e a escrita estimulam os nossos processos cognitivos. A jardinagem ou a agricultura de subsistência, cantar, dançar, caminhar e, sobretudo, o conversar e o interagir são grandes estimuladores cerebrais.

A consciência dos défices levam muitas vezes ao isolamento do doente, à diminuição da  sua participação ativa na vida da família e na sociedade, emergindo na pessoa com doença de Alzheimer os sentimentos de incompetência e inutilidade que conduzem à perda de objetivos de vida e a estados depressivos que ainda agravam mais a sua condição de doença. 

No Relatório “Health at a Glance 2017” da OCDE, publicado a 10 de novembro de 2017, são apresentados novos dados sobre a prevalência da demência, colocando Portugal como o 4.º país com mais casos por cada mil habitantes.  

Estes dados, explicam a necessidade de, na última década, se terem desenvolvido estratégias que visam melhorar a vida das pessoas com doença de Alzheimer e dos seus cuidadores, promovendo as iniciativas públicas, sociais, e privadas, na prestação de cuidados de saúde e assistenciais, bem como o aumento de investigação nesta área.

Em Portugal, a publicação, em junho de 2018, do Diário da República n.º 116/2018, que aprova a Estratégia da Saúde na Área das Demências, vem, finalmente, mudar o paradigma das demências em Portugal. Esta estratégia para além de definir os princípios a que devem obedecer os cuidados a pessoas com demência, contempla a consciencialização social para o problema, a intervenção preventiva ao diagnóstico atempado e correto, o acesso a tratamentos, farmacológicos e não farmacológicos, os circuitos e articulação entre os vários níveis de cuidados de saúde e sociais, não esquecendo a formação aos cuidadores formais (profissionais) e informais (família, vizinhos e amigos). 

Assim, a consciência social para a doença de Alzheimer, bem como a formação dos vários intervenientes na prestação de cuidados à pessoa com doença, terá um reflexo na qualidade de vida dos mesmos, bem como as melhores práticas de saúde e assistenciais. 

 

 

Artigo de Sara Lima, Psicóloga Clínica