Centro de Investigação, Diagnóstico, Formação e Acompanhamento das Demências

A DEMÊNCIA

Termo que descreve os sintomas de um alargado grupo de doenças que provocam o declínio das funções intelectuais dos seus portadores, interferindo significativamente na sua vida social e na organização e execução do seu quotidiano. Estima-se que em todo o mundo cerca de 36 milhões de pessoas (66 milhões em 2030) vivam com esta patologia e que na Europa, todos os anos, apareçam 2.5 milhões de novos casos, sendo a longevidade apontada como o principal fator de risco para o desenvolvimento do estado demencial.

Anualmente, cerca de 550 mil milhões de euros, o que representa 1% do PIB mundial, são canalizados para a realização de exames, internamentos, tratamentos e acompanhamentos, assim como suporte ao precoce abandono da atividade profissional e da diminuição da assiduidade laboral por parte da pessoa com demência.

As formas mais comuns de demência são o Alzheimer, com cerca de 60% dos casos, a demência vascular, as demências de Corpos de Lewy e Frontotemporal, a doença de Parkinson, a doença de Huntington, o síndrome de Kirsakoff, provocado pelo álcool, e a doença de Creutzfeldt-Jacob.

 

RESPOSTAS À DEMÊNCIA

São já consideráveis as vontades e orientações mundiais no intuito de ser enfrentada a patologia. Através da Declaração de Paris (Assembleia Geral Alzheimer Europe, 2006) e da Declaração de Glasgow (Assembleia Geral Alzheimer Europe, 2014), que apelam à criação de uma estratégia europeia para as demências e de estratégias nacionais em todos os países da Europa, da Declaração Escrita 80/2008, do Parlamento Europeu, que invoca o reconhecimento da Doença de Alzheimer como uma prioridade de saúde pública, da Resolução da Assembleia da República n.º 133/2010, que recomenda ao Governo o reconhecimento das demências como uma prioridade nacional e a criação de um Programa Nacional para as Demências, e da Resolução da Assembleia da República n.º 134/2010, que recomenda ao Governo que considere a abordagem das Demências como uma prioridade politica, são já visíveis as determinações em promover a investigação sobre as causas, prevenção e tratamento das demências, a melhoria do diagnóstico precoce, a simplificação dos procedimentos para pessoas com demência e cuidadores e a promoção do papel das associações, dotando-as de um regular apoio.

 

EM PORTUGAL

Segundo dados de 2011, existiam cerca de 160 mil pessoas com demência, o que corresponde a 6% de cidadãos com mais de 60 anos que não usufruem de qualquer plano ou estratégia nacional para o acompanhamento da patologia. Nesse mesmo ano, cerca de 22% dos encargos do Serviço Nacional de Saúde destinaram-se a fármacos dirigidos ao sistema nervoso central, constituindo o segundo farmacoterapêutico com maiores encargos para o SNS.

A inexistência de um processo ativo e generalizado para a deteção precoce da doença, assim como a insuficiência de programas de apoio terapêutico, conduz à urgente necessidade de desenvolvimento de mecanismos de cooperação tendo em vista o seu premente progresso.

 

A PROPOSTA DO CIDIFAD

Considerando a débil resposta social nesta área, a Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave, de forma multidisciplinar e inovadora, deseja desenvolver um projeto que foca a vivência em comunidade e que visa a intervenção diferenciada e ajustada às especificidades dos diferentes estádios do processo demencial.

A estratégia baseia-se, desde logo, na possibilidade de realização de um maior número de diagnósticos precoces, na aposta na investigação, em parceria com a comunidade científica, na formação de cuidadores formais e informais e no acompanhamento às pessoas com demência. O objetivo passa, não só, por melhorar a qualidade da investigação nos diferentes processos e fases demenciais, mas também proporcionar melhor informação aos profissionais de saúde, aos cuidadores, aos familiares e à própria comunidade, requisitos e práticas necessários à promoção da qualidade de vida das pessoas com demência.

 

INVESTIGAÇÃO

No âmbito do protocolo oficializado com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, pretende-se fomentar a qualidade da investigação científica, aumentar o número e a qualidade dos estudos epidemiológicos em Portugal e na Europa, assumir um papel ativo na melhoria da coordenação e cooperação científica em Portugal, bem como incentivar a partilha de informações ao nível das causas, da prevenção e do tratamento das demências.

 

FORMAÇÃO E CIDADANIA

Os objetivos passam por mitigar as lacunas ao nível da formação dos profissionais e dos cuidadores informais, visando ainda aumentar o número de clínicos profissionais de saúde e da área de intervenção social que se ocupam de pessoas com a demência. No âmbito da cidadania, procurar-se-á ajudar a melhor compreender o estigma, o preconceito e a discriminação associados à demência, estudando formas que impeçam a exclusão social e que encorajam uma cidadania ativa, e habilitar a população a reconhecer os primeiros sinais da doença, procurando obter um diagnóstico precoce.

 

ACOMPANHAMENTO

O CIDIFAD permitirá aumentar significativamente a capacidade institucional no norte do país. Através de uma atenção e dedicação de qualidade, pretende-se garantir que as pessoas com demência beneficiem de um acolhimento, acompanhamento, assistência médica e cuidados especializados à sua fase demencial, permitindo manter as pessoas no seu domicílio ou recorrendo às mais inovadoras e qualificadas estruturas de alojamento. Também junto do prestadores de cuidados haverá uma atenção especial, garantindo que estes usufruam de um tempo de descanso adaptado às suas necessidades.

 

INFRA-ESTRUTURAS ESPECIALIDADAS

Administração e Apoio 

Administração do complexo e apoio jurídico e psicossocial às pessoas com demência e respetivas famílias.

 

Investigação 

Em articulação com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, proporcionar investigação, planos de formação e cursos de pós-graduação no domínio das demências, aos alunos da escola médica.

 

Formação e Diagnóstico 

Garantir formação aos profissionais de saúde e cuidadores informais, bem como a realização de diagnósticos efetuados por equipas multidisciplinares focadas na definição conjunta do plano de cuidados e na abordagem a assuntos de cariz social, financeiro e legal. Se efetuados de forma precoce, serão complementados de um apoio especial no sentido de visar a adaptação da pessoa à doença.

 

Unidade de Dia | Apoio Domiciliário

Em articulação com as disponibilidades dos cuidadores informais e dos familiares, possibilitar que, nas instalações do CIDIFAD ou no próprio domicílio, a pessoa com demência, receba todo o tratamento especializado ao nível da alimentação, higiene pessoal, atividade diária e cuidados clínicos.

 

Internamento (Estádio 1, 2, 3 e Paliativos)

Através da constituição de equipas profissionais e multidisciplinares, realizar um acompanhamento e supervisão ajustados à autonomia das pessoas com demência em unidades de internamento com 80 quartos individuais, estando 20 aposentos preparados para receção a pessoas em estado paliativo.

 

Unidade de Alojamento Temporário

Unidade de 12 quartos individuais direcionada para estadias de curta duração a pessoas com demência, permitindo o descanso dos cuidadores e dos familiares. Possui ainda uma ala com 8 quartos destinada a familiares de pessoas com demência em situação de internamento que, por um período de curta duração, com eles pretendam coabitar.

 

PARCEIROS E APOIOS ESSENCIAIS DO CIDIFAD

Estando concretizadas já as parcerias entre a Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave, a União de Misericórdias Portuguesas e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, do sucesso do CIDIFAD muito dependerá o apoio de demais entidades. Sendo esta uma problemática que, graças ao aumento da esperança média de vida, cada vez mais afeta a sociedade portuguesa, são considerados essenciais os apoios da Administração Regional de Saúde do Norte, da Direção-Geral da Saúde e do Instituto da Segurança Social.